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Pensar É Apenas Falar Consigo Mesmo

Eu costumava pensar que meditação era sobre ter pensamentos melhores. Pensamentos mais calmos. Pensamentos mais espirituais. Estava errado. Meditação não é sobre mudar o que você pensa. É sobre perceber que está pensando.

Alan Watts, baseado no Yoga Sutra de Patanjali, disse simplesmente:

In the beginning of the Yoga Sutra, Patanjali described yoga as spontaneously stopping the agitation of thinking. Thinking is talking to yourself, or figuring to yourself, and it is habitual for most of us.

Falar consigo mesmo. Isso é o que pensar é. Não o raciocínio profundo e abstrato que gostamos de imaginar. Apenas um fluxo constante de fala interna. Comentário. Narração. Preocupação. Planejamento. Relembrando conversas. Imaginando futuros que nunca acontecerão.

Watts apontou que se você falasse em voz alta tanto quanto fala consigo mesmo internamente, as pessoas achariam que você é louco. Mas porque o som está dentro da sua cabeça, passa por normal.

A pergunta que ninguém faz sobre meditação

Quando ocidentais ouvem que alguém pratica meditação, perguntam: “No que você medita?” Essa pergunta, disse Watts, não faz sentido para um budista ou hindu.

You do not meditate on anything, any more than you breathe on anything. You breathe, and in the same way, you meditate. The verb is in a way intransitive.

Meditação não é sobre focar em algo específico. Não é sobre concentrar em um mantra ou visualizar uma imagem ou analisar um koan. Esses podem ser pontos de entrada. Mas a prática real é mais simples e mais difícil: parar o monólogo interno.

Vivi isso claramente durante um retiro de meditação. O professor disse: “Pelos próximos dez minutos, não pense um único pensamento.” Claro que, dentro de dois segundos, eu estava pensando sobre a instrução. Depois estava pensando sobre falhar na instrução. Depois estava pensando sobre o quão meta isso estava ficando.

O ponto não era ter sucesso. O ponto era ver o quão viciada a mente está no seu próprio tagarelar.

Por que parar é tão difícil

A conversa interna não é opcional. É compulsiva. A mente gera pensamentos da mesma forma que o coração gera batidas. Você não pode mandá-la parar.

Mas aqui está o que Watts e Patanjali ambos entenderam: você não precisa parar os pensamentos à força. Eles param sozinhos quando você para de alimentá-los.

A maior parte do nosso pensamento não está respondendo à realidade. Está respondendo a pensamentos anteriores. Um pensamento dispara outro, que dispara outro, em uma cadeia sem fim. Patanjali chamou isso de “a agitação do pensamento” (vritti em sânscrito). Yoga é o aquietar dessa agitação.

Não suprimindo-a. Vendo-a claramente.

Um experimento simples

Tente isso agora. Pare de ler por um momento. Perceba o que está acontecendo na sua cabeça. Tem uma voz comentando sobre esse exercício? Tem uma voz dizendo “não tenho uma voz”? Tem uma voz analisando se você está fazendo certo?

Essa voz é o pensamento. E o fato de você ter percebido significa algo importante: há uma consciência por trás da voz. Quem percebe o pensamento não é o próprio pensamento.

Watts apontou para essa distinção entre pensamento e consciência. Pensamentos vêm e vão. Consciência permanece. Meditação é mudar sua identidade do primeiro para o segundo.

O valor prático de ficar quieto

Quando passo menos tempo falando comigo mesmo, algumas coisas mudam.

Eu escuto melhor. Não só as pessoas, mas o ambiente. Sons ficam mais ricos. O espaço entre os sons é perceptível. O mundo não é um fundo para o meu comentário. É o evento principal.

Eu reajo mais devagar. A maioria das reações emocionais é amplificada pelo comentário interno. Alguém diz algo, e então a voz adiciona: “Isso foi rude. Eles sempre fazem isso. Por que eles fazem isso?” Quando o comentário termina, você está bravo. Sem o comentário, o ardor inicial desaparece sozinho.

Eu gosto mais das coisas. Você já notou que os momentos mais agradáveis são muitas vezes aqueles onde o pensamento para? Um pôr do sol bonito. Uma peça de música. Bom sexo. Risadas com amigos. Esses momentos são memoráveis precisamente porque a conversa interna pausa.

Isso se conecta a mushin no mind, o conceito zen de mente sem mente onde a ação flui sem interferência do pensamento.

A prática de parar a tagarelice interna também se relaciona com wu-wei, onde o esforço surge naturalmente sem forçar.

E o momento comum é o ponto explora o que fica disponível quando você para de sobrepor realidade com comentário.

FAQ

Meditação significa que nunca devo pensar? Não. Pensar é útil. Você precisa para planejar, analisar, comunicar. A prática é sobre ser capaz de parar quando o pensamento não é necessário, não sobre eliminá-lo permanentemente.

Como paro de pensar durante a meditação? Você não para. Você percebe. A percepção em si cria distância. Com o tempo, o pensamento se acalma naturalmente. Tentar parar de pensar é apenas mais pensamento.

Monólogo interno é o mesmo que consciência? Não. O monólogo é conteúdo na consciência. A consciência em si é o espaço no qual o monólogo aparece. Você é o espaço, não o conteúdo.

Posso praticar isso sem meditação sentada? Sim. Caminhar, lavar pratos, ou qualquer atividade repetitiva funciona. A chave é perceber quando você começa a falar consigo mesmo e gentilmente retornar a atenção para a atividade em si.

Todo mundo tem monólogo interno? Algumas pessoas não têm. Pesquisas sugerem que o monólogo interno varia significativamente entre indivíduos. Mas todo mundo experimenta a agitação do pensamento de alguma forma: imagens, sentimentos, impulsos ou palavras.

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