Skip to content

Você Não É Tão Importante Quanto Pensa (E Esse É O Ponto)

  • Início /
  • Vida /
  • Você Não É Tão Importante Quanto Pensa (E Esse É o Ponto)

Eu costumava me levar muito a sério. Minha carreira. Minha reputação. Minha identidade. Tinha construído uma história sobre quem eu era, e a defendia como uma fortaleza. Qualquer ameaça a essa história parecia uma ameaça à minha existência.

Então li o ensaio de Alan Watts “Importância”, e tudo mudou. Não porque decidi ser menos sério. Mas porque vi que a seriedade não era uma virtude. Era um peso.

A Glória-da-Manhã e o Pinheiro Gigante

Watts cita um poema japonês:

A glória-da-manhã floresce por uma hora, Contudo não difere no fundo Do pinheiro gigante que vive mil anos.

Isto não é uma metáfora sobre perseverança. É uma afirmação sobre valor. A importância não é medida pelo tempo. Uma coisa não é melhor porque dura mais. Uma ervilha é tão redonda quanto o mundo. No que diz respeito à redondeza, nenhuma é melhor que a outra.

Tendemos a pensar que nossas vidas importam apenas se deixam uma marca. Se construímos algo grande. Se somos lembrados. Se ganhamos dinheiro suficiente ou prêmios suficientes ou influenciamos pessoas suficientes. Mas a glória-da-manhã não se importa com legado. Floresce por uma hora, e essa hora é completa.

A Armadilha da Insignificância

Diante da imensidão do tempo e do espaço, o homem parece um ser da mais absoluta insignificância. Em comparação com os problemas vastamente complicados do mundo moderno, as pequenas esperanças e medos do indivíduo parecem não ter consequência.

Isso pode parecer deprimente. Mas Watts diz que é o oposto. O Budismo é o Caminho do Meio. Não diz que você é insignificante. Diz que você é tanto significativo quanto insignificante, e ambos ao mesmo tempo.

A astronomia moderna nos fala da nossa insignificância sob as estrelas. Mas também nos diz que se levantamos um dedo, as afetamos. Somos transitórios. Não temos um eu permanente. Mas o tecido da vida é tal que um fio partido pode causar estragos imensuráveis.

Sua importância não está em quanto tempo você dura. Está na qualidade da sua existência. E a qualidade não escala com o tamanho.

O Vício da Seriedade

Watts tem outro ensaio chamado “Leveza de Toque”. Chesterton disse que porque se levam levemente, os anjos podem voar.

O tipo de seriedade que arrasta o homem para baixo não é filho da tristeza. É uma espécie de representação teatral na qual o ator se engana ao se identificar com seu papel. Você não é seu trabalho. Não é seu título. Não é sua reputação. É um jogador num jogo, e o jogo não é tão sério quanto você pensa.

Isso se torna um vício no adulto porque ele faz uma religião do jogo. Teme perder seu papel. Usa sua dignidade como pernas de pau para manter a cabeça acima da adversidade. Seu problema é que em vez de representar seu papel, seu papel o representa.

As pessoas veem através da fachada. Sorriem educadamente enquanto você atua. E você sente. Sente o vazio da performance. Mas continua atuando porque esqueceu que existe uma saída.

A Mensagem da Sabedoria Oriental

A mensagem da sabedoria oriental é que as formas da vida são maya e portanto profundamente carentes de seriedade do ponto de vista da realidade. O mundo de forma e ilusão que a maioria toma como o mundo real não é outro senão o jogo do Espírito.

Ou, como os hindus chamam, a Dança de Shiva. Aquele que é iluminado participa deste jogo sabendo que é um jogo. O homem sofre apenas porque leva a sério o que os deuses fizeram por diversão.

Isso não é um chamado à irresponsabilidade. É um chamado para ver o jogo pelo que ele é. Você pode representar seu papel com total comprometimento. Pode se importar profundamente. Pode trabalhar duro. Mas não precisa acreditar que o papel é você.

O ego como ficção social ajuda aqui. Quando você vê que o eu é uma construção, uma peça de jogo, um papel que você representa, para de levá-lo tão a sério. Ainda pode jogar. Mas joga com leveza.

Por Que Nos Apegamos à Importância

Se a seriedade é tão pesada, por que nos apegamos a ela?

Porque temos medo do que acontece se a soltarmos. Se não formos importantes, algo importa? Se somos apenas uma pequena criatura cuja vida é como um floco de neve, qual é o sentido?

Watts responde com o Caminho do Meio. É bom que alguém demasiadamente preocupado com seus próprios assuntos considere a imensidão do universo. Mas que não considere por muito tempo, para não esquecer que a responsabilidade não só pela prosperidade humana mas também pela ordem do universo é sua.

Você é pequeno. E é enorme. Ambas as coisas são verdade. Você é um pequeno universo. A ordenação da sua mente e corpo é tão complexa quanto a ordenação das estrelas. Podemos dizer que o governo do universo de um homem é menos importante porque tem tamanho diferente?

Não. Mas essa importância não exige que você seja pesado. Não exige que seja sombrio. Não exige que sofra.

O Poder da Solidão

Um lugar onde essa leveza aparece é na solidão. Quando você está sozinho, não precisa atuar. Não precisa impressionar ninguém. Pode apenas ser.

O poder da solidão não é sobre estar solitário. É sobre estar livre dos papéis que te amarram na companhia. Na solidão, o ator larga a máscara. O papel larga o ator. E o que resta é algo mais quieto e mais real.

Isso não é fuga. É restauração. Você retorna ao mundo mais leve, mais disponível, menos tenso. Pode jogar o jogo novamente, mas sabe que é um jogo.

Perguntas Frequentes

Isso significa que nada importa?

Não. Significa que as coisas não precisam ser pesadas. Você pode se importar profundamente sem sofrer. Pode trabalhar duro sem se identificar com o resultado. A qualidade da sua ação importa mais que o tamanho do seu impacto.

Como me levar menos a sério sem me tornar preguiçoso?

Seriedade e comprometimento não são a mesma coisa. Você pode ser totalmente comprometido e ainda leve. Um músico pode levar a música a sério e ser alegre no tocar. Um pai pode ser dedicado ao filho e alegre no relacionamento. A leveza está na pegada, não no cuidado.

E se as pessoas dependerem de mim para ser sério?

Dependem de você para ser confiável, não sombrio. Você pode aparecer consistentemente sem carregar o peso do mundo. Na verdade, você aparece melhor quando não carrega.

A ambição é compatível com essa visão?

Sim, se a ambição for lúdica. Se você está construindo algo porque te excita, porque importa, porque você gosta do processo, está tudo bem. Se está construindo algo para provar seu valor, para escapar do medo da insignificância, essa é a armadilha.

Como paro de atuar?

Note quando você está atuando. Note o público na sua cabeça. Note o crítico, o juiz, o admirador. Então lembre-se de que não há ninguém assistindo. Ou melhor, quem está assistindo é você, e você é livre para parar.

E se eu já estiver longe demais na atuação?

Não está. No momento em que você vê a atuação, já está livre dela. O reconhecimento é a saída. Você não precisa desfazer nada. Só precisa parar de adicionar a ela.

O Segredo do Anjo

Chesterton disse que os anjos podem voar porque se levam levemente. O mesmo é verdade para os humanos. Somos pesados não pelas nossas responsabilidades, mas pela nossa autoimportância.

A glória-da-manhã não se preocupa se é importante. Apenas floresce. O pinheiro gigante não se compara ao carvalho. Apenas cresce. Não são preguiçosos. Não são passivos. Estão plenamente vivos. Apenas não carregam o peso extra de ser significativos.

Você pode ser igual. Não porque é menor. Mas porque já é completo. O esforço para ser importante é a única coisa que te faz sentir pequeno.

Vivendo Levemente

Não se trata de desistir. É sobre aparecer sem a armadura. É sobre representar seu papel com alegria em vez de medo. É sobre lembrar que o jogo é um jogo, e isso o torna mais divertido, não menos.

Da próxima vez que sentir o peso da sua própria importância, lembre-se da glória-da-manhã. Floresce por uma hora e isso é suficiente. Assim como você.

Não porque você é insignificante. Mas porque significado nunca foi o ponto. O ponto é o florescer. O ponto é o agora. O ponto é este momento comum, fugaz e perfeito.

E você já está nele.

Posts Relacionados

O Momento Comum É o Que Importa

Passei anos tentando ser mais presente. Aplicativos de meditação. Exercícios de respiração. Cursos de atenção plena. Toda seção de autoajuda tem uma versão desse conselho. E toda vez, acabo me sentindo fracassando em estar presente.

Leia Mais

Wu-Wei: Por Que Não Fazer Nada É Mais Difícil do Que Parece

Eu costumava achar que não-ação significava ser preguiçoso. Deitar no sofá, rolar a tela do celular, deixar a vida acontecer. Então li o ensaio de Alan Watts “Tao e Wu-Wei” e percebi que tinha entendido ao contrário.

Leia Mais

Por Que Tentar se Consertar É o Problema

Eu costumava achar que autoaperfeiçoamento era uma linha reta. Ler o livro, seguir os passos, tornar-se melhor. Mas quanto mais eu tentava, mais preso me sentia. Até que encontrei o ensaio de Alan Watts “O Paradoxo da Abnegação”, e algo fez sentido.

Leia Mais